O que sou eu, afinal? Não consigo me pensar sozinho. Aos filósofos, esse parece ser um assunto já muito comum e de fácil arguição, mas e a mim? Por que importa um assunto desses a mim? Por que eu devo pensar sobre ele, tomar o tempo e usá-lo para refletir sobre esse assunto em particular? E por que fui afetado por esse assunto, por que, antes de qualquer coisa, ele foi por mim escolhido? Por que ele, de alguma maneira, veio a mim, como que ex machina? Certamente, toda a minha conformação, que implica em minha formação histórica e sua presença em um horizonte aberto de possibilidades determinantes, ou, dito de outra forma, na sedimentação de uma série de possibilidades que possibilitam a abertura de outra série de possibilidades, mas não de outras, é que me possibilita pensar sobre ele, ao passo que impossibilita uma infinidade de outros muitos temas sobre os quais pensar e até mesmo a possibilidade do não-pensar. Mas essa conformação implica a mim? O que sou no meio da conformação? Apesar de tudo, apesar de toda a mudança que ocorre, pareço permanecer o mesmo, como seu nucleus vivendi. [...]
Não posso me pensar sem o outro. Quando me penso, apesar de todas as minhas tentativas de me livrar daquilo que já aprendi, não consigo me livrar das categorias que adquiri pela tradição; afinal, o próprio pensamento é conformativo. [exemplos]. Mas não se trata apenas da conformação do pensamento. Quando quero me definir, sempre me apóio no exterior, na vida em comunidade.
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