O que é mais infeliz? Ser só ou sentir-se só? Não basta sê-lo, mas é necessário, também, senti-lo, encarná-lo, vivenciá-lo como tal? Não nos parece, assim, que o sentimento acrescenta algo ao ser (deste ou daquele modo, isto ou aquilo)? Não nos parece, assim, que a realidade, em si mesma, nada significa, não nos imputa nada? Pois é, meu caro leitor. Navegamos por esses mares turbulentos e descobrimos que os nossos mastros não lhes são páreos; afinal, não foram preparados para ventos tão fortes, e os cascos, já rachando, não foram preparados para essas ondas, tão potentes e tão pesadas. Sabemos que os nossos sentimentos nos permitem estar em situações que chamamos de significativas, porque, de uma forma ou de outra, elas adquirem um significado para nós. Sabemos que, além de tudo, esse significado possui múltiplas dimensões e podemos vivenciá-lo, em nosso próprio drama, como uma miríade de possibilidades, as quais fazem outras possibilidades chocaram-se entre si e gerarem outras, e mais outras e outras possibilidades. É, sim, um jogo vertiginoso, mas que permite, ao mesmo tempo, encontrarmo-nos com nós mesmos ou, então, perdermo-nos nesse labirinto.
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